Sábado, 6 de Fevereiro de 2010

A falsa crise

Nos últimos dias tem-se assistido a uma hipotética "crise" governativa causada, ao que parece, pela Lei das Finanças Regionais.

 

O Governo PS, na sua extrema dramatização da questão, vem dizer que numa altura de contenção e de controlo de endividamento externo, permitir à Madeira subir o seu limite de endividamento seria um mau sinal para o mercado e para os organismos que observam Portugal: UE e agências de rating.

 

Ora bem, admitamos que a permissa é verdadeira. Que a razão deste "finca-pé" é, de facto, uma questão de princípio. Nesse caso, não seria expectável que, em nome da coerência de princípio, este mesmo Governo se esforçasse por conter a despesa e o endividamento noutras situações que agravam, exponencialmente mais, essa mesma despesa e endividamento externo?

 

Não seria expectável que, em nome da coerência da permissa que o Governo apresenta, se no continente se defende que se deve aumentar o endividamento (com TGV, Aeroporto, nova ponte sobre o Tejo e novas estradas) por este permitir um investimento imediato que, supostamente, reanimará o emprego e os índices económicos, a mesma premissa fosse defendida para as regiões autónomas?

 

Não falemos sequer da pseudo-credibilidade que um Governo como o nosso tem para falar do "despesismo" da Madeira. Será por acaso o Estado Português e os Governos que o lideraram nestes últimos 35 anos algum exemplo de boa gestão?

 

Portanto, ficando estabelecido que este irredutível princípio do Governo é incoerente com a sua linha geral de governação, importa descobrir então que motivação (porque a há sempre na política) estará oculta nesta linha estratégia radicalizada na ameaça de demissões e na insolência da promessa de não cumprir o deliberado pela Assembleia da República, órgão soberano representante do povo.

 

Temos duas hipóteses.

 

1 - Esta estratégia visa forçar um confronto radicalizado que pareça legitimar uma demissão do Governo por incapacidade governativa, um "abandonar o barco" e deixar o "pântano governativo" para outros. Algo que o PS já fez, pela mão de Guterres, com Sócrates a ministro - "Old habits die hard".

 

2- Esta estratégia visa forçar um confronto radicalizado que pareça legitimar uma demissão do Governo que, alegando impossibilidade de governar, peça maioria absoluta (terreno favorito) ao eleitorado, aproveitando de uma assentada a indecisão actual no PSD com a fuga ao desgaste que as próximas presidenciais farão a Sócrates onde, quer Cavaco, quer Alegre não lhe darão "palmadinhas nas costas".

 

Será lícito especular que o Governo liderado por José Sócrates fosse capaz de tal atitude aviltante?

 

Bom, para fazermos esta pergunta teríamos igualmente de nos questionar se este mesmo Governo e se este mesmo Primeiro Ministro seriam capazes de, por exemplo, mentir sobre o défice em época de eleições para, logo depois das eleições apresentar o seu verdadeiro valor.

Teríamos de nos questionar se seriam capazes de, por exemplo, engendrar desaparecimentos de programas e de jornalistas que sigam uma linha de crítica ao Governo.

Teríamos de nos questionar se seriam capazes de aceitar subornos para licenciar obras ignorando impactes ambientais.

Teríamos de nos questionar se seriam capazes de assinar projectos da autoria de outros técnicos.

Teríamos de nos questionar se seriam capazes de participar em processos ilegais de obtenção de habilitações académicas.

Teríamos de nos questionar se seriam capazes de mentir sobre as suas habilitações académicas.

Teríamos, enfim, de nos questionar se seriam capazes de alterar as leis do código de processo penal apenas para estas encaixarem que nem uma luva no processo "Casa Pia".

 

Teríamos de nos questionar, portanto, sobre muita coisa.

Ora, questionar é algo que o povo português, actualmente, parece não gostar muito.

Mais grave que isso, questionar é algo que o Governo, actualmente, parece não gostar muito.

publicado por Luís Pedro Mateus às 14:29
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Domingo, 3 de Janeiro de 2010

«A crise é também uma crise de valores»

 

Na mensagem de Ano Novo, o Presidente da República relembrou os Portugueses que a crise que vivemos hoje não é só uma crise económica, mas é também uma crise de valores, apelando para a necessidade de «recuperar o valor da família», justificando que «o esbatimento dos laços familiares tem sido um dos factores que mais contribuem para agravar as dificuldades que muitos atravessam».  

 

Um apelo que nunca é demais ouvir, principalmente perante o momento que se avizinha... 

 

 

 

 

 

publicado por Maria Dá Mesquita às 16:20
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Sábado, 26 de Dezembro de 2009

A Crise do Ocidente

Outrora tivemos um mundo dividido por um muro ideológico que servia como garante das identidades e dos valores defendidos por cada lado da cortina de ferro. O Muro de Berlim caiu e com ele, faliu o modo de vida comunista imposto aos povos do outro lado. Os interesses dos protagonistas eram cobertos pela capa das ideologias e do bem-estar económico-social inerente a cada uma delas e, apesar das ameaças, o Ocidente vivia um sentimento de confiança historicamente incomparável. Durante algum tempo ainda se pensou que o modelo democrático ocidental iria prosperar, servindo de exemplo a uma quantidade de povos que durante longo tempo ansiaram pela liberdade. Contudo, o que se verificou foi que, na Europa, as comunidades religioso-culturais aumentaram e no mundo, outros fenómenos emergiram, motivados por interesses abafados e controlados por uma estabilidade mantida durante quarenta anos. Num mundo mais globalizado e marcado por um vazio geopolítico, foi necessário encontrar outra cobertura para a justificação desses interesses. E essa cobertura foi a religião, com Deus a regressar ao campo de batalha e, assim, o modo de vida ocidental a estar novamente sob premanente ameaça.

 

Facilmente infiltrável por outros modos de vida e culturas, a democracia ocidental foi obrigada a arranjar novos meios para se defender. O espaço de liberdade imperante nos países democraticos passou a ser utilizado por interesses mal intencionados de vingança e de ódio para fomentar o radicalismo e o fundamentalismo, nomeadamente de cariz islâmica, com expressão máxima nos atentados terroristas de 11/9, 11/3 e 7/7. Para se defender, a democracia passou a dar mais importância à segurança, embora no momento a seguir, surgissem críticos e a opinião pública em defesa da liberdade, gerando um dilema de desconfiança por parte dos cidadãos em relação aos poderes públicos que actuam em sua defesa.

 

Por outro lado, a campanha de homogeneização promovida pelos governos europeus, curiosamente, em nome da liberdade não só tem contribuído para exponenciar a crise de valores e de identidade já sentida, mas também para fomentar revoltas por parte das comunidades acolhidas. Parece que professar a religião na Europa se tornou condenável. São abolidos crucifixos em espaços públicos, é proibida a construção de minaretes, são impostas regras ao vestuário. Em nome da igualdade, prejudica-se a liberdade de expressão e a liberdade religiosa. Em nome da igualdade tentam-se apagar as heranças culturais e civilizacionais europeias para não causar insatisfação a outras comunidades que, voluntariamente, escolhem a democracia motivadas pela crença de se poderem expressar livremente.

 

Pretendo com esta reflexão meramente transmitir que, está na altura de repensar toda a campanha de laicidade e de anti-religiosidade promovida na Europa. Sendo o mundo ocidental um conjunto de democracias livres, o dever de qualquer governo neste círculo é o de promover a liberdade religiosa, a tolerância e o diálogo intercultural, sem perder acima de tudo as suas raízes culturais e tradicionalmente judaico-cristãs. Actuar inversamente é minar a democracia e contribuir para o incremento da crise identitária em que o ocidente vive, fomentar a intolerância, impossibilitar o diálogo e convidar a radicalismos. Pois não é por acaso que as comunidades muçulmanas na Europa são mais perigosas e radicais do que as comunidades muçulmanas nos Estados Unidos.

publicado por Maria Dá Mesquita às 16:08
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Refletindo sobre a restauração

Portugal comemora hoje mais uma data em nome da liberdade. Após 60 anos de ocupação e submissão a Castela, os Portugueses decidiram a 1 de Dezembro de 1640, unir-se e recuperar aquilo que são os elementos mais definidores de um Estado - a soberania e a independência. Tratou-se de um acto de coragem e bravura que permitiu a restauração da Monarquia e com isso, a dignidade de todos aqueles que manifestavam saudade pela nacionalidade.

 

Tal como hoje, embora de forma mais agravada, os Portugueses sofriam de uma justificada falta de credibilidade relativamente ao poder político. Com a Dinastia Filipina, Portugal rapidamente adquiriu o estatuto de província espanhola, foi perdendo domínios imperiais no Oriente, África ou Brasil e foi conduzido a um enfraquecimento que culminou na perda de um lugar cimeiro que ocupava enquanto potência ultramarina. Foi necessário uma actuação revoltosa para devolver a esperança aos Portugueses. É neste sentido, que também nós, inspirados pelos acontecimentos da «manhã pura e alegre», vimos actuar proporcionando um espaço de ideias e debate, onde publicaremos as nossas esperanças, as nossas revoltas e as nossas lutas.

 

Actuamos no contexto da actual crise económica, política e social, em que a credibilidade e a esperança dos portugueses face aos responsáveis pela governabilidade voltam a ser afectadas. A crise que se vive na actualidade, manifesta-se ao nível das mais altas e poderosas instituições da Nação, que por sua vez despertam um preocupante sentimento de desconfiança por parte dos cidadãos em relação àqueles que são os responsáveis pelo seu bem-estar económico e social. A falta de transparência, a corrupção, a criminalidade ou as injustiças sociais demonstram a clara falta de valores e fazem resurgir apelos à ética nos vários domínios da vida nacional.

 

Parece que o sentimento de indignação tem vindo a crescer. Será necessário algo semelhante a uma revolução para voltar a dar confiança aos Portugueses? Talvez possamos começar por levar a cabo uma restauração dos princípios e dos valores da ética e da moral...

publicado por Maria Dá Mesquita às 05:20
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