Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Bom ou mau?

Notícias como esta ainda me suscitam alguma perplexidade:

 

"Uma cadeia só para pessoas transgénero

...

O projecto recebeu o aval da principal força da oposição, o Partido Democrata, e de diversos grupos de pessoas transgénero em Itália. "É uma boa notícia e é fruto de um trabalho conjunto entre os administradores e as associações como a Trans Genere, a Ireos e o Movimento pela Identidade de Género (MIT)", explicou Aurélio Mancuso, presidente da Arcigay."

 

Portanto, deixem ver se eu percebi:

 

Discriminar trangéneros e gays no casamento: mau.

Discriminar transgéneros e gays no exército: mau.
Discriminar transgéneros na prisão: bom.


Agora estou confuso.

 

Se se faz uma prisão para transgéneros, porque não uma para gays? Porque não uma para todas as pessoas com deformações passíveis de serem escarnecidas por outros reclusos?

E essa discriminação? É boa ou má?

 

Bolas, agora estou mais confuso.
 

publicado por Luís Pedro Mateus às 11:42
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Sábado, 9 de Janeiro de 2010

#cpms - uma agenda

Ler o que a Elisabete Joaquim diz aqui, n'O Insurgente:

 

"...

Esta diluição da sociedade no Estado explica também a aversão à ideia de que a questão pudesse ser referenciada: na lógica progressista a moral resume-se a um assunto sobre o qual cabe ao legislador decidir, não representando a sociedade civil mais do que um grande aluno que é preciso educar (e cujas convicções morais são desprezadas).

O problema é que, contrariamente ao que os defensores da lógica estadista pregam, o casamento enquanto instituição social não é meramente a possibilidade de união entre duas pessoas, mas sim uma união que goza de reconhecimento social, pelo simbolismo que acarreta, como fonte estruturante da unidade familiar que compõe as comunidades e, consequentemente, a sociedade. Em certo sentido, o casamento não é apenas um contrato entre duas pessoas mas sim entre um casal e a comunidade, ou a família alargada, numa lógica de protecção recíproca que serve a segurança da unidade familiar, sustentáculo da sociedade. No caso do casamento civil, o Estado apenas serve o propósito de assegurar que o contrato seja de facto cumprido. Assim sendo, legislar no sentido do Estado se imiscuir nas estruturas mais básicas que fundamentam essa instituição (erradicando a noção de família que se segue da possibilidade de filiação/adopção) é desvirtuar conceptual e moralmente a noção de casamento, transformando-a em algo que nunca foi: uma união solipsista."

 

publicado por Luís Pedro Mateus às 19:17
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Coerências

João Moreira Pinto, no 31 da Armada:

 

Das cenas mais enternecedoras da época natalícia é ver ateus militantes a desembrulhar presentes, escandalizados que estão com o materialismo da época. Gozam o subsídio de Natal, aproveitam a tolerância de ponto, ouvem as palavras do amado líder, enquanto lhe pedem um Estado laico. Querem as escolas sem cruzes, uma sociedade livre dos estigmas judaico-cristãos e sonham uma sociedade iluminista, racional e cientificamente perfeita. Sonham de olhares fixos no céu e brilhantes, reflexos das decorações de Natal. 

 

Ateus militantes e teístas militantes, apesar de não admitirem, têm muito em comum.

Ambos são crentes, de tal forma, na sua verdade dogmática, que em ambos os casos podemos falar de uma fé.

O ateísmo militante e repugnante que, imbecilmente, postula que os teístas são carneiros ignorantes e fracos encontra-se, surpreendentemente, bastante próximo do teísmo jactante que pinta os não crentes como infelizes e menos iluminados na Verdade.

 

Se, para um ateu, não existe por princípio qualquer problema no facto de uma sociedade estar assente em valores de génese teológica (todas estão) que maturaram e deram origem aos pilares identitários dos Estados actuais, para um crente não deveria haver qualquer problema por haver ateus que, identificando-se com pressupostos da filosofia cristã e compreendendo o valor da tradição religiosa na sociedade, adiram aos ritos não por fé, mas por tradição.


 

O problema das militâncias é, portanto, uma questão de generalização e incompreensão de parte a parte.


 

Que fé maturada terá uma criança no seu baptizado ou na sua primeira comunhão? Não estará ela, antes do mais, a cumprir uma tradição, ao invés de estar a tomar parte, conscientemente, num acto religioso e de vinculação a Deus?

Da mesma forma, que ateísmo convicto e anti-religioso (porque é disso que se trata) terá alguém que, depois de durante um ano inteiro ter cavalgado a sua cruzada anti-religiosa pessoal, tome parte no ritual bi-milenar que dá graças à vinda do Filho do Senhor?

 

Se virmos bem, a questão ateística é quase política, de pura inspiração ideológica: conservadorismo versus progressismo.

Há muito mais proximidade entre ateus conservadores e teístas moderados do que entre estes e ateus progressistas militantes ou teístas ultra-conservadores igualmente militantes.

 

A importância do pensamento conservador está precisamente na ênfase que se dá à compreensão do passado, da história, dos costumes e, acima de tudo, dos valores.

 

As questões de fé são facilmente ultrapassadas pelo entendimento intelectualmente honesto entre Homens de Bem, independentemente de quem é o Verbo para cada um deles.

 

Se para uns haverá um mundo e uma vida depois da morte e para outros não, isso não invalida que estejam todos condenados a entenderem-se neste.

publicado por Luís Pedro Mateus às 15:48
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

"Progressismos"

Em sequência do post do Rui Crull Tabosa no 31 da Armada, que subscrevo na totalidade, aproveito para abordar igualmente a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que postula que um crucifixo na sala de aula pode ser “facilmente interpretado pelos estudantes de todas as idades como um símbolo religioso”. Os alunos estariam assim a ser educados num ambiente escolar com “as marcas de uma religião”.

Junto às características religiosas cristãs da bandeira Portuguesa salientadas pelo Rui Crull Tabosa que muito devem impressionar (e insultar?) as outras religiões, de igual modo, para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem analisar, criticar e proibir as bandeiras do Reino Unido, Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Islândia, Grécia, Malta, Suiça e Eslováquia uma vez que todas elas têm uma cruz de Cristo. 

 

Não compreendo, e nem crente sou, que mal faz um crucifixo numa sala de aula. Não estou a ver como este símbolo pode impressionar e incomodar alguém, e outros, como os citados acima, já não.

 

Não compreendo a obcessão em negar as nossas heranças, em negar a base cristã sobre a qual a Europa se fundou com a justificação de que isso pode incomodar as outras religiões. Não compreendo. Sou ateu, e não compreendo. Não me sinto minimamente atingido nas minhas liberdades religiosas por meros símbolos que fazem parte da história de uma determinada sociedade ou cultura. Se emigrasse para um país Árabe, com certeza não me incomodaria com a estrela e o quarto crescente do Islão nas várias bandeiras... 

 

Importar-me-ia mais que alguns desses países, que tantas vezes criticam a "exagerada" audácia democrática europeia, julgassem a minha companheira por ela não usar um véu na cabeça.

 

Tudo isto é bem ilustrativo da "batalha" entre o conservadorismo moderado e o "progressismo" (as aspas são propositadas) desenfreado.

 

Para mim, o conservadorismo moderado apenas postula que, como bem disse Churchill que...

 

"If we open a quarrel between past and present, we shall find that we have lost the future."

 

publicado por Luís Pedro Mateus às 13:55
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