Terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Argumentos de conveniência

O escrúpulo socialista no cumprimento literal do seu programa servirá de desculpa para desvalorizar 90 mil assinaturas que pedem um referendo. Dizem eles que, por ter sido votado por uma maioria, os pontos nele inscritos já estão – porque toda a gente lê os programas dos partidos, pois claro – aprovados por uma maioria, o que dispensa a consulta popular. Sem estar agora a questionar tão questionável argumento, apenas lamento que esta verdade absoluta que mora em muitos militantes socialistas não tenha dado sinal de vida mais cedo e noutras questões. É que, se bem me lembro, do programa eleitoral do PS em 2005, que uma maioria absoluta votou, não constavam subidas de impostos e a nacionalização de bancos. É. A conveniência tem destas coisas.

publicado por Tiago Loureiro às 16:52
link | comentar | ver comentários (12) | favorito
Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

A importância de um congresso

“Por mim, que fui, com honra, quem primeiro defendeu - com Rui Gomes da Silva - este método de eleição [eleições directas], não concebo que se queira voltar atrás.”

 

Estas palavras são de Pedro Santana Lopes, numa das suas mil versões anteriores, em que defendia com unhas e dentes a eleição do presidente do PSD em directas. Hoje, pouco mais de dois anos e duas derrotas eleitorais depois, o menino guerreiro vai desfilando mais uma vez sob as luzes da ribalta com a feroz dedicação de recolher as assinaturas necessárias para a realização de um congresso extraordinário antes das próximas directas.

 

No fundo, o que ele pretende, ainda que sob disfarce, é voltar atrás. A desculpa de que o PSD precisa de discutir ideias, métodos, programas, é todo um conjunto de motivos que demonstram a falibilidade do actual método de escolha do líder em uso no PSD (no PS e no CDS também, já agora) em comparação com os antigos congressos electivos e a falibilidade da convicção de Santana Lopes em 2007.

 

É uma evidência que o método das directas retira conteúdo a um momento eleitoral que não passa disso mesmo, aprimorado com um congresso no final para servir de enfeite. E torna-se uma evidência que os congressos são o grande fórum de discussão de ideias, argumentos e estratégias, feito sob o signo da pluralidade, de uma verdadeira noção de contraditório, e da emoção natural de quem sente o partido e quer o melhor para ele.

publicado por Tiago Loureiro às 23:57
link | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

Podiam entender-se?

 

Podiam. Mas não era a mesma coisa.

publicado por Tiago Loureiro às 21:06
link | comentar | favorito
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Impostos e investimento público

É pena que tal coisa aconteça apenas como consequência destes tempos de crise, mas a verdade é que, finalmente, se ouvem, por cá, vozes – tímidas, muitas vezes – que reclamam uma descida de impostos como meio para uma animação económica. Quem o tem posto na prática, ou defendido na teoria, não deixa, no entanto, de enunciar a necessidade de se recorrer simultaneamente a um forte programa de investimento público. Tudo isto não pode deixar de compôr um estranho paradoxo, uma que vez que, como disse Hazlitt, “public works mean taxes”, logo mais investimento público representará um peso maior em cada contribuinte.

 

Deve ser por isso que, por cá, ainda se vai acreditando exclusivamente na superior eficácia do investimento público, seguindo o axioma muito socialista de que as pessoas ou empresas não sabem utilizar a folga na sua disponibilidade financeira, logo, o Estado omnisciente e, como sempre, omnipresente trata de gastá-lo de forma inquestionavelmente correcta. Como se pode ver.

publicado por Tiago Loureiro às 18:08
link | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sábado, 26 de Dezembro de 2009

A Crise do Ocidente (2)

A propósito do último post da Maria, recomedo um excelente artigo do Henrique Raposo, no Expresso, onde, entre outras coisas, se pode ler o seguinte:

 

«A neutralidade do estado não deve invalidar a presença da religião na sociedade. 'Estado' e 'sociedade' são duas realidades distintas. O estado deve ser secular, mas a sociedade não deve ser secularizada à força.»

publicado por Tiago Loureiro às 16:59
link | comentar | favorito
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Obras públicas e criação de emprego

A ideia de baixar impostos, reduzir a despesa pública ou libertar a economia do peso do estado nunca se afiguram, para o poder político, como boas soluções para uma animação económica. Em vez disso, recorre-se a outras iniciativas como o apelo às obras públicas. Mas se a obra pública é algo que emana da necessidade inequívoca em relação a determinada estrutura, por parte da maioria dos contribuintes – que a pagam –, então justificar a sua construção com a necessidade de criação de emprego, por exemplo, é subverter a ideia de partida. Normalmente, a desculpa da criação de emprego aparece para esconder a duvidosa utilidade da construção de determinado empreendimento.

 

Mais do que isso, acreditar que os empregos criados pelas obras públicas representam um aumento linear no número de pessoas empregadas é falsa. O dinheiro dos contribuintes gasto para criar um emprego no âmbito das obras públicas, é dinheiro que deixa de ser utilizado para gerar emprego noutra área qualquer. Bastiat explica isso muito bem.

 

Vem isto a respeito de uma pequena discussão “tuiteira”, onde o Carlos Santos fazia a apologia do investimento público como forma de os governos criarem emprego. Esse tal princípio muito em voga de que a obra pública, bem como a intervenção do Estado sob outras formas, é boa para a criação de emprego, acaba por ser disseminada pela totalidade das forças políticas quando recorrentemente colocam o ónus do aumento ou diminuição do emprego directamente do lado do Estado. Assim, quando a oposição acusa o governo de ser o culpado da alta taxa de desemprego e o governo promete criar um determinado número de empregos, a ideia de que o Estado é um dos principais motores da criação de emprego ganha força. Legitimam-se, dessa forma, as obras públicas como prática não só aceitável como inevitável, em vez de se lembrar que o dever do Estado não é ser um agente activo, mas antes tornar-se passivo, dando mais liberdade de movimentos às empresas, elas sim, parte importante quando se trata de impulsionar a economia.

 

______

Recuperado e adaptado daqui.

publicado por Tiago Loureiro às 00:12
link | comentar | ver comentários (14) | favorito
Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Melting down

 

No meio de tanta inconsequência, não deixa de ser irónico que uma das poucas consequências práticas da cimeira que decorreu sob o signo do aquecimento global tenha sido, afinal, mais um passo no crescente arrefecimento de Obama.

publicado por Tiago Loureiro às 16:16
link | comentar | ver comentários (3) | favorito
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Em época de palhaços…

Há gente que não evita derramar a sua superioridade moral e os seus tiques de arrogância fétida – que julgam ser suprema inteligência – na poça de uma lama fedorenta para onde pretendem puxar, com acusações ocas de outra coisa que não seja ignorância e intolerância, os argumentos de quem pensa de modo diferente. Essa gente, iluminada por um ego gigante, tem tendência a achar-se o máximo. Alguma dessa gente acha-se imensa graça. A Ana Vidigal pensa que tem piada. Não tem. Mas lá que é palhaça, isso ninguém lhe tira.

publicado por Tiago Loureiro às 00:32
link | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Curiosa contradição (2)

Muitos dos que reclamam o alargamento do casamento civil a casais de pessoas do mesmo sexo para eliminar descriminações relacionadas com a orientação sexual, as tais que, segundo eles, ferem o famoso artigo 13º da Constituição, são os mesmos que discriminam na mesma base quando se trata da possibilidade de esses mesmos casais adoptarem.

publicado por Tiago Loureiro às 16:27
link | comentar | favorito

Curiosa contradição (1)

Aqueles que sempre desvalorizaram a discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, oferecendo-lhe (e convidando outros a fazê-lo) indiferença e alguma repulsa a pretexto do carácter não prioritário da questão, parecem ser os mesmos que agora a querem colocar no centro da agenda mediática, como assunto principal, à custa da realização de um referendo.

publicado por Tiago Loureiro às 16:17
link | comentar | favorito
contacto | twitter

autores

pesquisar

 

blogues dos nossos

mais comentados

17 comentários
14 comentários
11 comentários
8 comentários

últ. comentários

Thanks for accepting me on your blog. I will bring...
OFERTA DE EMPRÉSTIMO DA NOVELTY FINANCE "Olá!!! Pr...
Oferta de empréstimo rápida e sériaInformações sen...
Oferta de empréstimo rápida e sériaInformações sen...
VOCÊ PRECISA DE UM ENORME EMPRÉSTIMO DE ATÉ $ 500 ...
Firma de empréstimo Sky Wealth, nós concedemos emp...
Bem-vindo a New World Finance Ltd, agradecemos os ...
Sem taxa de empréstimo inicial! Você precisa de um...
Olá senhoras e senhores, precisam de ajuda finance...
Olá,Você precisa de um empréstimo urgente para res...

arquivos

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

tags

todas as tags

blogs SAPO

subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub