Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

O óbvio

O que ainda não se percebeu em Portugal é que aumentar impostos não resolve coisa nenhuma.

Se resolvesse, com estes 35 anos de consecutivos aumentos de impostos, todos os nossos problemas teriam sido resolvidos, e não o foram.

 

Mas o problema não é, por si, o subir impostos. Tal até poderia ser bom como uma medida extraordinária, temporária face às pressões que os mercados estão a sofrer de momento. O problema é que, neste país, facilmente se sobe impostos e quase nunca se desce (excepto o IVA, com flutuações de 1%), estando-se a vender uma medida supostamente "extraordinária" que, na verdade, passará a regra futura pois muito dificilmente o Estado abdicará deste aumento de receita. Tal nos prova a história destes últimos 35 anos.

 

Se aumentar impostos nos permite acelerar a consolidação orçamental que se requer? Sim.

Se essa consolidação orçamental também poderia ser atingida com um real esforço de corte de despesas (acabe-se com os RSI, por exemplo) e sem recurso a aumento de impostos? Sim.

Se as medidas apresentadas hoje pelo Governo vão fazer recuperar a economia? Não.

 

E não o vão porque, muito simplesmente, consolidação orçamental não significa crescimento da economia.

Se, por um lado, aumento de impostos significa mais receita para combater défices, por outro lado significa um encolhimento do consumo e um desincentivo do trabalho que, completando o ciclo, afecta a produtividade e, asfixiando (ainda mais) a economia real, condena o país à estagnação (aos "crescimentos" de 0,5 ou 1% que temos andado a crescer há quase 20 anos) que, obviamente, apenas contribui para se manter os défices produtivos.

 

Portanto, não nos iludamos. Na melhor das hipóteses, todas estas medidas urgentes e "extraordinárias" apenas servirão para nos tirar o nariz e a boca fora da água para apenas ficarmos com ela pelo pescoço.

São as medidas de sempre que nos condenam à mediocridade.

São as medidas de sempre que nos condenam a défices, se tudo correr "bem", na ordem dos 3%.

São as medidas de sempre que nos condenam a "crescimentos", se tudo correr "bem", na ordem dos 1%.

 

E correndo "bem", lá nos regozijamos todos por estas pequenas vitórias morais... De vitória em vitória até à derrota final.

 

Ainda não se percebeu que o problema é estrutural.

Ainda não se percebeu que o problema é o paradigma.

Ainda não se percebeu o óbvio.

publicado por Luís Pedro Mateus às 15:47
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