Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Obras públicas e criação de emprego

A ideia de baixar impostos, reduzir a despesa pública ou libertar a economia do peso do estado nunca se afiguram, para o poder político, como boas soluções para uma animação económica. Em vez disso, recorre-se a outras iniciativas como o apelo às obras públicas. Mas se a obra pública é algo que emana da necessidade inequívoca em relação a determinada estrutura, por parte da maioria dos contribuintes – que a pagam –, então justificar a sua construção com a necessidade de criação de emprego, por exemplo, é subverter a ideia de partida. Normalmente, a desculpa da criação de emprego aparece para esconder a duvidosa utilidade da construção de determinado empreendimento.

 

Mais do que isso, acreditar que os empregos criados pelas obras públicas representam um aumento linear no número de pessoas empregadas é falsa. O dinheiro dos contribuintes gasto para criar um emprego no âmbito das obras públicas, é dinheiro que deixa de ser utilizado para gerar emprego noutra área qualquer. Bastiat explica isso muito bem.

 

Vem isto a respeito de uma pequena discussão “tuiteira”, onde o Carlos Santos fazia a apologia do investimento público como forma de os governos criarem emprego. Esse tal princípio muito em voga de que a obra pública, bem como a intervenção do Estado sob outras formas, é boa para a criação de emprego, acaba por ser disseminada pela totalidade das forças políticas quando recorrentemente colocam o ónus do aumento ou diminuição do emprego directamente do lado do Estado. Assim, quando a oposição acusa o governo de ser o culpado da alta taxa de desemprego e o governo promete criar um determinado número de empregos, a ideia de que o Estado é um dos principais motores da criação de emprego ganha força. Legitimam-se, dessa forma, as obras públicas como prática não só aceitável como inevitável, em vez de se lembrar que o dever do Estado não é ser um agente activo, mas antes tornar-se passivo, dando mais liberdade de movimentos às empresas, elas sim, parte importante quando se trata de impulsionar a economia.

 

______

Recuperado e adaptado daqui.

publicado por Tiago Loureiro às 00:12
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13 comentários:
De Maria Dá Mesquita a 23 de Dezembro de 2009 às 00:47
Esta política do governo socialista numa altura de crise como a que se vislumbra, faz lembrar as políticas dos grandes ditadores fascistas que optavam por investir em grandes obras públicas (e monumentos) para glorificar o seu poder e criar emprego no curto prazo, sendo assim vistos pelo povo como heróis nacionais.
Parece que os governos ainda não entenderam que o problema do Estado ser o principal motor da criação de emprego, está no aumento da dependência da sociedade face ao Estado, o que impede por sua vez, o desenvolvimento de uma sociedade civil forte, empreendedora e auto-suficiente geradora de riqueza. Este foi sempre, por poucas palavras, uma das razões do atraso de Portugal.


De manuel gouveia a 23 de Dezembro de 2009 às 09:29
Se os estado pode salvar administrações de bancos com biliões, porque não há-de investir na economia real? O que dizia Bastiat a este respeito?


De Tiago Loureiro a 23 de Dezembro de 2009 às 19:36
O estado não devia ter metido a mão nos bancos. Esta opinião não é do Bastiat, é minha. Serve?


De manuel gouveia a 23 de Dezembro de 2009 às 19:56
Eu prezo muito a tua opinião, mas já agora gostava de saber o que dizia o Bastiat quando as regras só se aplicam quando se trata dos pequeninos...


De Tiago Loureiro a 24 de Dezembro de 2009 às 01:05
O princípio é exactamente o mesmo. Ler Bastiat é capaz de ser uma boa forma para saber o que ele pensa... ;)


De manuel gouveia a 24 de Dezembro de 2009 às 12:50
Talvez, mas isso não impede que cada um tenha a sua interpretação, quase sempre a que mais lhe convém... mas é uma boa sugestão.


De António Vieira Carvalho a 23 de Dezembro de 2009 às 16:13
Parece-me óbvio que as obras públicas não tenham qualquer influência no desemprego... 2 ou 3 pessoas fazem um aeroporto e linhas de TGV em meia duzia de dias...


De Tiago Loureiro a 23 de Dezembro de 2009 às 19:39
Há quase 550 mil desempregados em Portugal. Se 1% destes conseguir emprego com TGV's e aeroportos, é muito. E a esmagadora maioria dos postos de trabalho terá um carácter meramente temporário.


De António Vieira Carvalho a 23 de Dezembro de 2009 às 20:28
Pois claro... Simplesmente recomendo que note a importância do sector da construção na economia portuguesa que, na opinião do Tiago, não deve ser nenhuma...

Sempre foi evidente e reconhecido que o sector da construção é o principal dinamizador da economia...

Se calhar tem a mesma opinião de alguns que dizem que as obras são para dar empregos aos ucranianos e senegaleses...


De Tiago Loureiro a 24 de Dezembro de 2009 às 01:08
No que respeita às obras públicas, o que digo é que o emprego gerado é temporário. O que restar dele é um valor demasiado residual para ser tido em conta. Seja para ucranianos, senegaleses ou portugueses...


De Miguel Canedo Martins a 23 de Dezembro de 2009 às 19:54
Concordo plenamente!

Muito bom post, Tiago! Parabéns!


De Jogos Online a 1 de Dezembro de 2010 às 23:12
Agora passado um ano, tenho de reconhecer que tinham toda a razao.

Pedro


De CanalTuga a 1 de Dezembro de 2010 às 23:39
Concordo plenamente!
Acho que foi tudo dito e explicado de uma maneira exemplar .Parabens


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