Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Curiosa contradição (3)

É curioso como dentro de um partido onde os valores da democracia-cristã são suposto constituirem o fundamento de todo o combate político-ideológico, há quem defenda que a estrutura-base da nossa sociedade deva ser alterada em nome de uma suposta liberdade que outros reivindicam pelo simples desejo de reconhecimento ou de afirmação. É curioso constatar que esses se estão a colocar ao lado dos partidos à esquerda, ao não compreenderem que, aos Portugueses (e «àqueles que sempre desvalorizaram a discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo») não deve ser negado o direito a expressarem-se democraticamente sobre um assunto que cabe à sociedade decidir e não ao Estado. É curioso observar como aqueles que defendem o Estado mínimo na economia, queiram permitir ao Estado interferir na vida privada dos seus cidadãos.

publicado por Maria Dá Mesquita às 17:28
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13 comentários:
De Maria Dá Mesquita a 16 de Dezembro de 2009 às 18:37
Tiago,

eu acho que esta questão, em primeiro lugar nem sequer devia estar a ser debatida num momento como este, de tamanha crise, desemprego e todos os problemas sociais associados. Mas se o Governo a quer levar adiante, então sim, acho bem que as pessoas que anteriormente se silenciavam ou que recusavam o debate, se manifestem agora e que façam os possíveis para serem ouvidas, não estivéssemos nós numa democracia... Os assuntos só se debatem quando há necessidade e, perante a impaciência que o Governo tem demonstrado quanto à legalização do casamento, é importante que aqueles que se opõem, agora sim, estão no momento certo para se fazerem ouvir.

Quando digo que o casamento é a estrutura base é porque é o casamento que consolida a relação entre duas pessoas que se predispõem a constituir uma família naturalmente e transmitir os valores aos seus novos membros de modo a que estes se possam integrar plenamente na sociedade.

Mas a questão do casamento é todo um debate que originaria uma longa discussão. Simplesmente tenho a dizer que, a família é fundamental para o desenvolvimento de cada um de nós, enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Por isso o casamento entre homossexuais é um assunto que merece todo o cuidado e que não deve ser apressado de forma alguma, dada irreversibilidade da decisão .


De Tiago Loureiro a 16 de Dezembro de 2009 às 18:45
Apenas uma discordância: não só o casamento não consolida, necessariamente, a relação entre duas pessoas que se predispõem a constituir uma família (há quem seja infértil e case) como, se assim fosse, não seria sequer a única forma de o fazer (existe também a união de facto).

Mas, de facto, a questão do casamento civil (e não o casamento gay) daria um debate muito grande e importante.


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