Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

"Progressismos"

Em sequência do post do Rui Crull Tabosa no 31 da Armada, que subscrevo na totalidade, aproveito para abordar igualmente a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que postula que um crucifixo na sala de aula pode ser “facilmente interpretado pelos estudantes de todas as idades como um símbolo religioso”. Os alunos estariam assim a ser educados num ambiente escolar com “as marcas de uma religião”.

Junto às características religiosas cristãs da bandeira Portuguesa salientadas pelo Rui Crull Tabosa que muito devem impressionar (e insultar?) as outras religiões, de igual modo, para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem analisar, criticar e proibir as bandeiras do Reino Unido, Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Islândia, Grécia, Malta, Suiça e Eslováquia uma vez que todas elas têm uma cruz de Cristo. 

 

Não compreendo, e nem crente sou, que mal faz um crucifixo numa sala de aula. Não estou a ver como este símbolo pode impressionar e incomodar alguém, e outros, como os citados acima, já não.

 

Não compreendo a obcessão em negar as nossas heranças, em negar a base cristã sobre a qual a Europa se fundou com a justificação de que isso pode incomodar as outras religiões. Não compreendo. Sou ateu, e não compreendo. Não me sinto minimamente atingido nas minhas liberdades religiosas por meros símbolos que fazem parte da história de uma determinada sociedade ou cultura. Se emigrasse para um país Árabe, com certeza não me incomodaria com a estrela e o quarto crescente do Islão nas várias bandeiras... 

 

Importar-me-ia mais que alguns desses países, que tantas vezes criticam a "exagerada" audácia democrática europeia, julgassem a minha companheira por ela não usar um véu na cabeça.

 

Tudo isto é bem ilustrativo da "batalha" entre o conservadorismo moderado e o "progressismo" (as aspas são propositadas) desenfreado.

 

Para mim, o conservadorismo moderado apenas postula que, como bem disse Churchill que...

 

"If we open a quarrel between past and present, we shall find that we have lost the future."

 

publicado por Luís Pedro Mateus às 13:55
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6 comentários:
De António Vieira de Castro a 3 de Dezembro de 2009 às 22:43
Será que alguém tem medo que algum professor crucifique um aluno numa cruz tão pequena? Se não é disso, então onde é que está o problema de haver crucifixos em salas de aula?


De Nuno Silva a 3 de Dezembro de 2009 às 23:55
O Rui Crull Tabosa, verdade seja dita, não só neste texto que citas mas em muitos outros, gosta de exagerar e não
e pouco. A comparação da burka com o crucifixo é péssima.Quanto à história da bandeira idem idem. Num caso é um símbolo religioso na indumentária do aluno (coisa que o Estado nada tem a ver), outra é o crucifixo na escola (propriedade do Estado).

Para mim, o problema não é o Prof ter medo de ter lá a cruz, muito menos muito menos a negação da nossa herança. Tem a ver com o facto do Estado ser laico, logo tudo aquilo que é do Estado é laico. Não se deve, ou deveria, portanto, por crucifixos, figuras de Maomé, ou whatever com conotação religiosa nas escolas publicas.

Ninguém proíbe o aluno de levar para a escola um crucifixo ao pescoço, ou rezar o terço no intervalo.


De Luís Pedro Mateus a 4 de Dezembro de 2009 às 15:14
Nuno,

tens de me explicar então porque é que este Estado laico reconhece feriados religiosos.
Acabe-se já com o Natal e com a Páscoa.


De Nuno Silva a 4 de Dezembro de 2009 às 15:27
é verdade LP, reconhece...e levanto essa mesma questão! Mas até posso perceber o Natal e a Pascoa por motivos óbvios! Não percebo o 8 de Dezembro ou o 15 de Agosto! Tens toda a razão quando levantas essa questão...


De Luís Pedro Mateus a 4 de Dezembro de 2009 às 17:29
O que eu acho é que não deve haver dois pesos e duas medidas.

Os crucifixos nas escolas não estão a vincular ninguém ao cristianismo, da mesma maneira que a simbologia da bandeira e os feriados não vinculam nem coagem ninguém a ser cristão.

Se se quer começar por um lado e ignorar que se trata tão somente de herança e identidade cultural, então que se retire tudo... sejamos libertários ou niilistas. Natal e Páscoa, feriados religiosos, incluídos!


De Nuno Silva a 4 de Dezembro de 2009 às 18:29
concordo!


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