Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Incoerências

 Não será que tanto barulho feito à volta de se criar uma nova discriminação com a proibição de adoptar pelos casais gays não dá razão àqueles que dizem que o casamento tem uma dimensão procriativa da qual é indissociável? Dimensão essa que, por razões óbvias, não é possível num casal do mesmo sexo, levando a que esse casamento na verdade não exista?

 

É, portanto, ílegitima a posição do BE e do PC quanto ao casamento gay, já que admitiram, ainda que indirectamente, que o casamento apenas existe entre duas pessoas de sexo diferente, sendo também ilegítima a posição do PS, por criar a tal nova discriminação.

 

Não será esta falta de respeito por mais de 90.000 assinaturas, recolhidas em menos de um mês, um contra-senso, vinda daqueles que dizem advogar contra a "intolerância" e pela "igualdade"?

 

Por fim, será que esta tarde o deputado MIguel Vale de Almeida vai renunciar ao seu cargo, depois de ter feito a única coisa que se propunha e para a qual o PS apresentou a sua candidatura a esta legislatura? Será substituído por um activista da eutanásia, vegetariano ou da greenpeace para a próxima "causa fracturante"?

publicado por António Sousa Leite às 13:01
link do post | comentar | favorito
14 comentários:
De Luís Pedro Mateus a 8 de Janeiro de 2010 às 15:26
Lá está.

Uma das provas de toda a leviandade e irresponsabilidade do que se está prestes a aprovar.


De Daniel João Santos a 8 de Janeiro de 2010 às 23:03
ser-se contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo não implica ser-se radical.


De António Sousa Leite a 9 de Janeiro de 2010 às 01:44
é tudo uma questão de proporcionalidade: à política séria responde-se com mais política séria, ao radicalismo com radicalismo.
além disso, no meu post só vejo radicalismo no último parágrafo, o que demonstra uma grande benovolência face aos alvos desse radicalismo. o resto é lógica pura e se tiver alguma objecção a pôr tem esta caixa de comentários ao seu dispor.


De Daniel João Santos a 9 de Janeiro de 2010 às 12:24
Referia-me exactamente ao ultimo paragrafo.

O que eu espero, a nível nacional, é que arrumada a questão se passe ao combate à crise. Perdemos todos demasiado tempo com uma questão que se resolveu num dia.


De André Lucas a 9 de Janeiro de 2010 às 16:08
Calma... Ainda não terminou!

Vejamos o que falta:
1) Constitucionalidade da Proposta de Lei.
2) Promulgação de Cavaco Silva.
3) A continuação da insistência do referendo por parte da plataforma Casamento e Cidadania.

A minha opinião em relação a estes pontos:
1) Penso que a lei é inconstitucional! Mas não sendo especialista no assunto, admito o contrário.
2) Espero que Cavaco Silva vete a lei e que "exija" a realização de um referendo e que a Assembleia da República não ignore as 90 mil assinaturas (que poderiam ser 200 mil). Sinceramente estou muito curioso em relação à decisão de Cavaco Silva. Qualquer decisão será uma surpresa.
3) Concordo que devam insistir com o referendo e arranjar o máximo número de assinaturas de modo a sensibilizar cada vez mais os portugueses e consequentemente os deputados para esta causa tão relevante e que envolve a utilização de um dos melhores instrumentos da democracia: o referendo!


De Daniel João Santos a 9 de Janeiro de 2010 às 17:21
1- também me parece que existe ali matéria discriminatória dai poderá ser remetida para o Tribunal Constitucional e de volta para ao parlamento.

2 - Cavaco Silva pode mandar para trás, mas não pode exigir referendo. Cavaco serve de garante das instituições, deveria servir, não pode mandar executar o dito referendo.

3 - Esta plataforma exige um referendo, mas esconde publicamente as posições que têm sobre o assunto. Li algumas das ideias da dita plataforma e estão bem longe do sim a casamento.
Além disso, não considero possível exercer um referendo sobre uma matéria de liberdade individual de cada um. A mim não me interessa nada com quem o meu vizinho vive ou se casa.

Seria interessante passar para assuntos que afectem o todo nacional e não remoer assuntos de quem casa com quem.


De André Lucas a 9 de Janeiro de 2010 às 17:47
Obviamente concordo que há assuntos bem mais importantes para o país do que a discussão desta temática.

Independentemente do casamento de cada pessoa afectar ou não as outras pessoas, a verdade é que o "casamento" foi criado pelas sociedades e as leis em cada país sobre esta temática reflectem a cultura desses mesmos países. Como tal, se a sociedade o criou, só a mesma o deve mudar e a sociedade e a cultura de um país estão acima dos governantes. Por essa razão, há países que aceitam casamentos entre homossexuais, outros não aceitam e há outros ainda que aceitam poligamia, porque é o tal espelho da cultura deles e do conceito que eles têm de "casamento". Em Portugal, não estou assim tão certo que para a sociedade o conceito de "casamento" inclua a possibilidade de ser entre pessoas do mesmo sexo. Como tal, o referendo permitiria aferir qual o modelo de sociedade e de casamento que os portugueses pretendem.

Se o argumento a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo for a liberdade individual de cada um, nesse caso defendo a poligamia e qualquer outro tipo de casamento. Existem pessoas em Portugal vindos de países onde a poligamia é o modelo de casamento institucionalizado e que estes provavelmente gostariam de ser livres e casar com várias mulheres em Portugal. Contudo, mais uma vez, acho que tal não reflecte a nossa cultura nem o modelo de casamento que a sociedade pretende e é por essa razão que a poligamia não é permitida tal como, na minha opinião, o casamento entre homossexuais também não deve ser permitido se os portugueses não se reverem nesse tipo tipo de modelo de casamento.

Quanto a Cavaco Silva não poder exigir o referendo, eu sei que não o pode fazer e foi por essa razão que coloquei "exigir" entre aspas. Cavaco Silva já demonstrou ser contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, por isso ele arranjará argumentos suficientes para vetar e pode (deve!!!) juntar a esses argumentos a sugestão de realização do referendo. Porque se ele só vetasse com argumentos considerados conservadores, aquilo voltava para a Assembleia e a votação seria igual e ele acabaria por ser obrigado a promulgar. Se ele falar do referendo e se a plataforma se mantiver activa, é mais provável que haja uma mudança.

Em relação aos argumentos da plataforma, para mim o que me interessa é que eles pedem o referendo e já sugeriram a pergunta para o mesmo, com a qual eu concordo. Admito que entre as 90 mil assinaturas existam diversos pontos de vista, mas todos concordam num ponto que é o essencial: a realização do referendo!

P.S.: Desculpem lá as minhas grandes respostas, mas não gosto muito de resumir as minhas opiniões. Já basta ser forçado a resumir quando tenho de escrever frases em 140 caracteres no Twitter :p


De Joäo Silva a 10 de Janeiro de 2010 às 01:20
André Lucas,

Grande comentário e com esse tamanho até dava um belo post aqui no blogue. O senhor dava um belo bloguer (se ainda não for). Pense nisso!

Enunciou alguns excelentes argumentos a favor do referendo, com os quais concordo. Fez uma análise muito inteligente mas infelizmente já deu para perceber que esta legislatura será como a anterior, ou seja, com Sócrates de costas voltadas para os portugueses. E isso viu-se mais uma vez neste projecto de lei!

Cumprimentos,
João Silva


De Daniel João Santos a 10 de Janeiro de 2010 às 09:40
caro André,

mesmo discordado em alguns aspectos, só lhe posso cumprimentar e dizer como já se disse por aqui, abra um blogue que merece de facto ser lido.


De Joaquim Amado Lopes a 10 de Janeiro de 2010 às 01:37
"Esta plataforma exige um referendo, mas esconde publicamente as posições que têm sobre o assunto."

O Daniel não concebe que existam pessoas que defendam uma determinada alteração legislativa mas achem importante que esta só se concretize se a generalidade (ou pelo menos a maioria) da população estiver de acordo com ela?

Apenas aceitar que a decisão seja comunitária quando acreditamos que a maioria concorda connosco não é mera hipocrisia. É uma total falta de respeito pela opinião dos outros.


De Daniel João Santos a 10 de Janeiro de 2010 às 09:38
errado. Eu defendo o referendo e tenho pena que este país quando chamado a se pronunciar vá para a praia.

Eu defendo é que a igualdade de algumas pessoas não possa ser decidida pela maioria. Sim, porque o que se discute é a igualdade de direitos perante o casamento civil.

Não me parece lógico que eu possa decidir quem se pode casar ou não.

Quanto ao seu ultimo paragrafo, não o comento.


De Joaquim Amado Lopes a 10 de Janeiro de 2010 às 13:47
O Daniel escreveu:
"Esta plataforma exige um referendo, mas esconde publicamente as posições que têm sobre o assunto."

Este comentário só faz sentido se se achar que a posição de cada sobre a matéria a ir a referendo é relevante para se exigir o referendo ou não. Só o é para os hipócritas.

O Daniel pode achar que a matéria em causa não deve ser referendada. Eu acho que tudo o que possa ser decidido por quem foi eleito para nos representar é passível de ir a referendo e que defender que há questões que - apesar de não serem consensuais - são tão "óbvias" que não merecem discussão é achar-se detentor da verdade absoluta e querer impôr a sua opinião aos outros.

Naturalmente, não defendo que a gestão do Estado seja feita através de referendos sucessivos mas todas as matérias estruturantes em termos de Estado e sociedade são transversais aos partidos políticos e ultrapassam os limites temporais da legislatura.
Assim, havendo interessados em que determinada matéria vá a referendo (manifestado, p.e., através de uma petição com mais de 90 mil assinaturas), o referendo deve ser realizado.

Além de que, nesta matéria em concreto, tenho a certeza absoluta de que a maioria dos que recusam o referendo estariam na linha da frente a exigi-lo se a situação fosse inversa: maioria parlamentar contra a alteração legislativa e noção de que a maioria da população estaria a favor.

"o que se discute é a igualdade de direitos perante o casamento civil"
Não, não é. O que se discute é o significado do casamento.

Não se está a discutir se os homossexuais podem ou não casar uma vez que a Lei não faz qualquer discriminação em função da orientação sexual. Tal como os heterossexuais, os homossexuais também podem casar. Só não podem é casar com pessoas do mesmo sexo - exactamente como os heterossexuais.

E o que alguns (muitos?) dos defendores do casamento entre pessoas do mesmo sexo pretendem (no sentido de opinião e objectivo) é que os preconceitos se combatem por decreto. Por outras palavras, pretendem legislar sobre o que cada pode ou não pensar.
Não sei qual é a sua opinião sobre isso mas essa pretensão faz-me recordar "1984" de George Orwell e desperta em mim fortes sentimentos anti-fascistas/comunistas.

Quanto a o país ir para a praia quando é chamado a participar num referendo, (além de não ser verdade) em democracia decide quem aparece. Quem decide não aparecer delega nos outros que decidam por si.
É por isso que defendo que os resultados dos referendos devem ser sempre vinculativos, independentemente da taxa de votantes.

Nem todos dão a mesma importância aos mesmos assuntos. Respeitar a opinião dos outros inclui aceitar que outros se estejam nas tintas para questões que nós consideramos fundamentais.


De Daniel João Santos a 10 de Janeiro de 2010 às 14:37
Caro Joaquim,

cumprimentos pelo excelente comentário, embora discordando de alguns aspectos.

Ouvi um especialista espanhol, que analisa igual situação em Espanha, que defendia que com a lei as mentalidades começaram a mudar. Infelizmente, defendia ele e dando o exemplo de Espanha, no caso concreto quem mudou a mentalidade foi a lei, visto que para ele, o contrário nunca seria possível.

Concordo perfeitamente que os referendos deveriam ser vinculativos independentemente dos votantes.

Discordo que o debate tenha a ver com a definição de casamento, lembro que estamos a falar de casamento e não de matrimonio.

Reforço, cumprimentos.



De Joaquim Amado Lopes a 10 de Janeiro de 2010 às 21:07
Daniel,
As leis podem ajudar a mudar as mentalidades, ao forçar situações em que as pessoas são confrontadas com a prova da irracionalidade dos seus preconceitos.
Por exemplo, nos EUA, quando a integração racial foi imposta nas escolas pela força da Lei e das armas.

Com a convivência forçada entre alunos de raças diferentes, o preconceito de que os negros eram inferiores foi posto em causa quando os jovens brancos racistas foram confrontados com o facto de que a côr da pele não passa disso mesmo.

O resultado foi positivo? Depende do ponto de vista.
É positivo que o confronto com a realidade acabe com determinados preconceitos de determinadas pessoas. Mas, no caso que apresentei, esse resultado foi acompanhado de violência (com feridos e mortos) e aumento do extremismo racista.

Valeu a pena porque a alteração de mentalidades salvou mais vidas? Quem pode fazer essas contas?
E quem defende que se justifica sacrificar inocentes para potencialmente salvar mais inocentes?

Ninguém tem nada a ver com o que se passa dentro da cabeça de cada um. E de certeza que ninguém tem nada que impôr determinadas opiniões ou pontos de vista.
Se alguém é homofóbico, sexista, racista ou xenófobo, isso só passa a interessar a outros a partir do momento em que essa pessoa actue baseado nesses preconceitos de forma a prejudicar outros.
É livre de pensar o que quiser e mesmo de o defender em público, por muito detestável que pareça à generalidade da sociedade.

O meu problema com medidas deste género (engenharia social) é que não se procura convencer mas sim impôr uma determinada visão da sociedade.
Numa discussão, se o meu interlocutor pretende impôr a sua opinião como a única válida, distancio-me imediatamente dele mesmo que partilhe da sua opinião.

No caso espanhol, não aceito que a alteração das mentalidades se deva exclusivamente às medidas legislativas.
A realidade social evolui constantemente e as mentalidades evoluem com ela. Pretender delimitar e calendarizar essa evolução (das mentalidades) através da força da Lei só acelera algo que devia ser natural ao mesmo tempo que potencia o extremar de posições.

Quanto à distinção entre casamento e matrimónio, pode elaborar?

Um abraço


Comentar post

contacto | twitter

autores

pesquisar

 

blogues dos nossos

mais comentados

16 comentários
14 comentários
11 comentários
8 comentários

últ. comentários

Dia bomSe você é homem de negócios ou mulher? Se v...
Solicite um empréstimo rápido e conveniente para p...
Você quer comprar um rim? ou quer vender seu rim??...
Olá Você precisa de um empréstimo, empréstimo ...
Oláoferta de empréstimo de dinheiro rápido entre p...
Olá.Não se preocupe Mais para o seu pedido de empr...
Olá Sir / SraNós oferecemos nossos serviços para p...
SOUTHWESTLOANFUNDING é uma empresa de empréstimo n...
oferta de empréstimo a qualquer um sério e respons...
Good Day Dear Loan Seeker,Do you need an urgent fi...

arquivos

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

tags

todas as tags

blogs SAPO

subscrever feeds